Máquina do Tempo
- Nuno

- 20 de jun. de 2019
- 3 min de leitura
Uma história do futuro, sobre o passado.
Só o brilhar das estrelas e calmaria da brisa conseguia fazer-me derreter pelo passado, onde já fui maior, onde eu brilhei, tal como aquela estrela ali, e aquela acolá. Eu já viajei por perto e tenho que admitir que tive medo, demasiada adrenalina para um único ser humano, na verdade, para cinco.
A 14 de Junho de 2035 a NASA convidou 5 dos melhores formados na área astronomia e engenharia espacial. 5 de nós iríamos entrar numa nave para viajar pelos 3 planetas a serem nomeados para nosso próximo lar; 15 seria o número de engenheiros espaciais que acompanharia, de longe, a nossa missão. Lembro-me perfeitamente do dia da cerimónia, a entrega da “Medalha de Seleção”, as palavras do presidente e de todo o Concelho Diretivo da empresa, o “Diploma da Coragem” onde todos os riscos estavam impressos, os mesmos que li e que apenas guardei numa das gavetas do meu camiseiro.
Mas mais emotivo do que este dia, foram as 42 horas depois da primavera de 2040: estávamos dentro da nave, preparados para a morte e para a descoberta, tal ousadia era e é rara, mas eu e todos os meus companheiros sabíamos que isto era um pequeno passo para nós, mas um grande passo para a humanidade. Talvez não fosse bem assim, para nós, ali dentro, éramos os heróis que estávamos prestes a aterrar num planeta nunca antes pisado por algum humano.
Depois de 10 dias de viajem, cansativos mas surpreendentes (podíamos ver as estrelas que íamos passando pelas janelas, e para além de ser uma sensação de medo de morrermos derretidos, sentíamos excitação pela descoberta), chegamos ao desconhecido planeta Rosa, pousamos a nave e quando abrimos as comportas, eu chorei, eu gritei, eu surtei com tal vista: a água tinha uma cor rosa e o chão azul, mas ambas as cores eram muito suaves, tal como o verde das “Arvens” (é como se fosse uma nuvem, mas era formada por árvores flutuantes, sem tronco, apenas folhas). Eu passei os restantes dias a sonhar com tal vista, mas também, com a morte do meu parceiro – havia morrido na experiência de tentar respirar o ar de lá, ele tirou a proteção primeiro, e concluímos que aquele planeta seria inabitável para a espécie humana.
Mais 2 dias de viajem e pousávamos o “Astro dos Continentes Divorciados”, titulado assim porque, lá, haviam dois continentes separados por um rio que dava a volta a todo o planeta, uniformemente. Não havia muita gravidade, por isso, estávamos com medo de retirar as máscaras. Era um planeta pálido: água azul, num tom claro, e era constituído por areia, totalmente branca. Eu fui o selecionado para tirar a máscara, encorajei a minha mente e o fiz, embora com medo e angustia da morte. Quando senti o ar a penetrar-me os pulmões fiquei petrificado - tão suave e fresco, parecia o paraíso. Ali não havia árvores, mas as areias tinham plantas microscópicas dentro delas que permitiam a criação de oxigénio. Todos tiraram a máscara, e avisamos a base sobre o que sentíamos, mas mais uma desgraça aconteceu – o ar continha algum tipo de gás que asfixiava o ser humano – Dalton morreu aos seus 43 anos.
O tempo de viajem para o último planeta foi muito mais extenso do que o esperado – havíamos sido puxados para um satélite natural do astro “K-10”, a base disse para não pousarmos, a nave havia detetado um aumento de calor, podendo ser um planeta de fogo. Mais 7 dias e aterramos em “Ferris” - O Planeta das Santas – fui eu que atribui o nome. Quando retiramos o fato, começamos a alucinar com imagens mitológicas, o que nos atrasou 2 dias, depois de recolocarmos as proteções, sentimos alguns efeitos colaterais, mas depois da espera, partimos para a nossa casa. Voltamos para o nosso lar – Terra – e chorei no relatório oral da missão - havíamos destruído o nosso planeta e agora, que queríamos fugir, não tínhamos hipótese - talvez fosse o destino a avisar-nos: tal como todos animais inocentes não vão escapar da morte do nosso planeta, vocês, assassinos, não vão fugir das consequências.
Agora, olhando a estrela ao lado daquela, percebo que não vale a pena fugir, nós matamos, esgotamos a capacidade da nossa querida Terra, portanto, está na hora de sentirmos o peso das nossas ações.
E este será o nosso futuro, se continuarmos assim... Acho que está na hora de mudar as nossas atitudes - começa já e não quando for tarde demais.

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